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Aroeira Manenguera

Alguém foi mais esperto



Apelo

Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.

Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, até o canário ficou mudo. Não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam. Ficava só, sem o perdão de sua presença, última luz na varanda, a todas as aflições do dia.

Sentia falta da pequena briga pelo sal no tomate
meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa. Calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolha? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.

 

Dalton Trevisan



Escrito por Graziela às 17h44
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Menininha só nos detalhes

 

saindo de fininho, para a água da chuva não espirrar na bunda... 

 

Iaiá, se eu peco é na vontade
de ter um amor de verdade.
Pois é que assim, em ti, eu me atirei
e fui te encontrar
pra ver que eu me enganei.

Depois de ter vivido o óbvio utópico
te beijar
e de ter brincado sobre a sinceridade
e dizer quase tudo quanto fosse natural
Eu fui praí te ver, te dizer:

Deixa ser.
Como será quando a gente se encontrar ?
No pé, o céu de um parque a nos testemunhar.
Deixa ser como será!
Eu vou sem me preocupar.
E crer pra ver o quanto eu posso adivinhar.

De perto eu não quis ver
que toda a anunciação era vã.
Fui saber tão longe
mesmo você viu antes de mim
que eu te olhando via uma outra mulher.
E agora o que sobrou:
Um filme no close pro fim.

Num retrato-falado eu fichado
exposto em diagnóstico.
Especialistas analisam e sentenciam:
Oh, não!

Deixa ser como será.
Tudo posto em seu lugar.
Então tentar prever serviu pra eu me enganar.

Deixa ser.
Como será.
Eu já posto em meu lugar
Num continente ao revés,
em preto e branco, em hotéis.
Numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê.

 

sol sonamreh 



Escrito por Graziela às 21h08
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Nunca conseguira arrepender-me verdadeiramente de nada. Assaltaram-me as lembranças de uma vida que já não me pertencia, mas onde encontrara as mais pobres e as mais tenazes das minhas alegrias: cheiros de verão, o bairro que eu amava, um certo céu de entardecer, o riso e os vestidos de Marie. Mamãe costumava dizer que nunca se é completamente infeliz. Mas todos sabem que a vida não vale a pena ser vivida.

— Não tem, então nenhuma esperança e consegue viver com o pensamento de que vai morrer todo por inteiro?

—Sim — respondi.

— Não, não consigo acreditar. Tenho certeza de que já lhe ocorreu desejar uma outra vida.

Respondi-lhe que naturalmente, mas que isso era tão importante quanto desejar ser rico, nadar muito de pressa ou ter uma boca mais bem feita. Era da mesma ordem. Mas ele me deteve e quis saber como eu imaginava essa outra vida. Então gritei:

— Uma vida na qual me pudesse lembrar desta vida.

 



Escrito por Graziela às 19h40
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Bandeira branca amor, não posso mais...

 

* Cena do filme "Toda Nudez será Castigada", da obra de Nélson Rodrigues, rodada por Arnaldo Jabor no tempo em que ele não perdia tempo descobrindo razões para as loiras gostarem tanto de musculação, era menos reacionário e a Embrafilme financiava alguma coisa, antes de o Collor fuder com tudo!

 

Mais do que a paz implorada e o pedido de arrego, o samba pra mim lembra algo tão ladrão boliviano , num ritmo festejado de libertação, como se o acaso favorecesse o que não é nada fácil assumir...

 

Agora todos que somem da minha vida, já faço pensamentos de que fugiram com o ladrão boliviano, me deixou cheia de dúvidas, mas partiu feliz...

 

Não vou pregar a sinopse, nem tampouco críticas, os cadernos dois estão aí para isso, mas seguem algumas considerações fragmentadas: personagens em excesso, nem tão esquisitos em sua mania/mistura de sentimentos de dor com deboche/ cenário fuleiro/atriz principal tem ar de beldade e por sorte loira/o amor nasce com o sexo/efeito de luz vermelha/paixão fulgaz...

 

 



Escrito por Graziela às 20h32
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