Esse eu desenterrei lá das antigas...

 

Esbocei esse manifesto, fanzine ou afim só para documentar que almejamos fazer a revolução, mas que apregoando a inércia ideológica não saiu do papel. Como não tínhamos muito que reivindicar optamos pelos valores descritos abaixo. Uma breve sinopse enterrada possivelmente com alguns dos nossos sonhos, como veríamos depois... mas que continuam valendo.

 

E na época nem existia mesada à parlamentares e nem Heloísa se candidatara ao poder, ERA tudo obra de ficção.


MANIFESTO DO PARTIDO JORNALISTA

Eu organizo o movimento, vocês orientam o carnaval, os torneiros inauguram o monumento no Planalto Central do país.

"Se você treme de indignação perante as injustiças do mundo, então somos companheiros".

A forma panfletária é para acabar com toda e qualquer espécie de formalismo, moralismo, conservadorismo, -ismos, neonazistas, neo-liberais, paga-paus, patricinhas, boys, oportunistas, fanáticos religiosos, falsos profetas, não-filhos de Gandhi, clichês, pré-estabelishment, jovens imperialistas, porco-chauvinistas, militantes de Maluf, bicho-grilos ociosos, padrão Globo de qualidade...

Num galang ou em outro espaço qualquer...

Eu Joana D'Arc ainda ouço algumas vozes
Olga e Luís Carlos rememoram suas cartas
Da janela posso ver Pagú sorrindo desgraçadamente
Rosa Luxemburgo passa o café toda faceira
Lá na colina numa cama de campanha
Quão bonito é ver Guevara lendo Faulkner
Marx ri pra Fidel aqui de cima
Bonito de se ver foi Lennon tocar enquanto Anne Frank acompanhava num ritmo com as mãos
Tancredo, Bakunin, Lampião e Chico Mendes jogam escravos de jó
Enquanto Adolf Hitler arde no fogo do inferno...

E enquanto isso no Palácio do Catete...
Viva o ABC!!!
Quero o Zé Maria
E Heloísa no poder!!!
Enquanto os homens exercem seus podres poderes...
....Somos palhaços do circo sem futuro
Saia de mim como escarro, como pus, porra, cuspe, catarro...

"Vivemos numa pátria de podres poderes e sedento de novos revolucionários, onde inconformar-se é apenas reflexo de um coração solidário" (essa frase que anexei no manifesto fiz para uma promoção da Folha que concorria à alguma coisa do Nirvana, nem sinal da coisa...)

Contra tudo e a favor de tudo... Simone de Beavouir está morta, faça você a revolução...

Graziela, em meados de 2004.