E foi fácil se convencer de que não serviria para ser a mulher ideal nem para aquele sujeito que esperou até aqui para arranjar companhia para noites frias e finais de filme que não tem com quem comentar. Sujeitos esses, de peles finas, hálito agradável, com modos muito minimalistas para um dândi, que ainda cultiva discos aspirados toda quinta-feira, enquanto desempacota um long play “Maria Alcina”, que dá berrinhos quando atingida pela agulhinha agora lustrada.

Aquele sujeito de adega em casa, com cartas variadas para suas companhias. Prosecco para as damas incandescentes, uma versão mais adocicada para aquelas que usam cinta-liga e exageram no comprimento da saia. E ela tentava se encaixar nas suas obsessões sutilmente prosaicas e demodês, como se não restasse piedade por parte de alguém que uivaria ao ver seus contornos regulares à meia-luz.

Mas ah...o pensamento atingia patamares longevos por aquele outro de toque intenso, boca que quer ficar, palavras decifrando ais. Meu Deus, como pudera ele tão daquele jeito sei lá, que a endoidecara com demonstrações parcas de si, de um amor que ela maquiara em personagens cretinas, fêmeas vorazes, tentando fisgá-lo a qualquer que fosse o custo, querendo esconder seus carnês, seu aparelho antes de deitar, suas manias que a pintavam menina, seus detalhes que por vezes afastavam-se dele, sua barriga que doía uma dor de adolescente querendo chamar a atenção, simulando papos em cenários simulacros, a oração deveras perdoada sabe-se bem Deus que saia dela, tão cética. Oh, quem quer que fosse, responsável por fazer as coisas tornarem-se reais, torrente de bondade alheia... ela, mesmo que não servisse nem para o sujeito que agora abnegava suas decisões políticas, tomado por um servilismo diante daquela que estava convencida de que não serviria nem para sua hipocrisia a custo de banana, achava-se no direito de desejar aquele do cheiro de sempre, cenho conservado de traços marcantes e personalidade que envenena no antes, mas acalma no depois. Ah, e ela voltara às mesmas percepções de quando começara a ler “A Normalista”, tendo a como a narrativa que mais pudesse se aproximar das HQs de Zéfiro, distantes demais para serem adquiridas... quanta bobagem, mas é que a partir dali todos os outros foram destruídos e só sobrara este, este que previa, emoldurava e arranjava respostas para os diálogos e sonhos, recorrendo a fórmulas já gastas para firmar pensamento firme em que pudesse tê-lo, com suas formas que tudo beirava a perfeição, de palavras proferidas como desconhecidas e que meia dúzia delas ainda martelava como juras de amor lembrando Bocage, Byron ou qualquer que fosse o inspirado da vez.

Continua mais adiante...