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Cá com meus botões
Temporada

Festival de Cinema no Céu
Escrito por Graziela às 19h46
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E foi fácil se convencer de que não serviria para ser a mulher ideal nem para aquele sujeito que esperou até aqui para arranjar companhia para noites frias e finais de filme que não tem com quem comentar. Sujeitos esses, de peles finas, hálito agradável, com modos muito minimalistas para um dândi, que ainda cultiva discos aspirados toda quinta-feira, enquanto desempacota um long play “Maria Alcina”, que dá berrinhos quando atingida pela agulhinha agora lustrada.
Aquele sujeito de adega em casa, com cartas variadas para suas companhias. Prosecco para as damas incandescentes, uma versão mais adocicada para aquelas que usam cinta-liga e exageram no comprimento da saia. E ela tentava se encaixar nas suas obsessões sutilmente prosaicas e demodês, como se não restasse piedade por parte de alguém que uivaria ao ver seus contornos regulares à meia-luz.
Mas ah...o pensamento atingia patamares longevos por aquele outro de toque intenso, boca que quer ficar, palavras decifrando ais. Meu Deus, como pudera ele tão daquele jeito sei lá, que a endoidecara com demonstrações parcas de si, de um amor que ela maquiara em personagens cretinas, fêmeas vorazes, tentando fisgá-lo a qualquer que fosse o custo, querendo esconder seus carnês, seu aparelho antes de deitar, suas manias que a pintavam menina, seus detalhes que por vezes afastavam-se dele, sua barriga que doía uma dor de adolescente querendo chamar a atenção, simulando papos em cenários simulacros, a oração deveras perdoada sabe-se bem Deus que saia dela, tão cética. Oh, quem quer que fosse, responsável por fazer as coisas tornarem-se reais, torrente de bondade alheia... ela, mesmo que não servisse nem para o sujeito que agora abnegava suas decisões políticas, tomado por um servilismo diante daquela que estava convencida de que não serviria nem para sua hipocrisia a custo de banana, achava-se no direito de desejar aquele do cheiro de sempre, cenho conservado de traços marcantes e personalidade que envenena no antes, mas acalma no depois. Ah, e ela voltara às mesmas percepções de quando começara a ler “A Normalista”, tendo a como a narrativa que mais pudesse se aproximar das HQs de Zéfiro, distantes demais para serem adquiridas... quanta bobagem, mas é que a partir dali todos os outros foram destruídos e só sobrara este, este que previa, emoldurava e arranjava respostas para os diálogos e sonhos, recorrendo a fórmulas já gastas para firmar pensamento firme em que pudesse tê-lo, com suas formas que tudo beirava a perfeição, de palavras proferidas como desconhecidas e que meia dúzia delas ainda martelava como juras de amor lembrando Bocage, Byron ou qualquer que fosse o inspirado da vez.
Continua mais adiante...
Escrito por Graziela às 15h41
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O Otto é o cão mais bem resolvido sexualmente que já topei.
Faz amor com uma almofada azul e dá uns catos na vassoura que serve para aspirar o pó.
É um vouyer, adora sexo e para ele não existe fronteiras de dimensão, cavidade e encaixe. Está à frente do tempo canino.
Às vezes o salvo de um espetáculo ridículo para os outros, quando ele tenta, com sucesso, enrabar a almofada que tomou como dele, frente a olhares curiosos vindo da rua.
- Otto, coisa feia.
E ele dá uma olhadinha para trás e continua naquele mais molha do que chove.
E é um swing quando ele pede para que todas elas sejam postas no chão. É uma visão constrangedora, bem sei. Mas as únicas vizinhas cadelas dele não são para o seu bico. É um rapazinho bem bonito e dá se ao luxo de escolher. Faz bem.
Com a almofada foi primeira vista à estática meio móbil. Já a vassoura foi aquele barulhinho. Ah é,ele não se esfrega na vassoura, só paquera, fica do lado, dormem juntos. Ele é ciumento com ela.
O Otto vai para um programa de TV, só preciso arranjar tempo para o teste.
Escrito por Graziela às 06h04
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Esse eu desenterrei lá das antigas...
Esbocei esse manifesto, fanzine ou afim só para documentar que almejamos fazer a revolução, mas que apregoando a inércia ideológica não saiu do papel. Como não tínhamos muito que reivindicar optamos pelos valores descritos abaixo. Uma breve sinopse enterrada possivelmente com alguns dos nossos sonhos, como veríamos depois... mas que continuam valendo.
E na época nem existia mesada à parlamentares e nem Heloísa se candidatara ao poder, ERA tudo obra de ficção.
MANIFESTO DO PARTIDO JORNALISTA
Eu organizo o movimento, vocês orientam o carnaval, os torneiros inauguram o monumento no Planalto Central do país.
"Se você treme de indignação perante as injustiças do mundo, então somos companheiros".
A forma panfletária é para acabar com toda e qualquer espécie de formalismo, moralismo, conservadorismo, -ismos, neonazistas, neo-liberais, paga-paus, patricinhas, boys, oportunistas, fanáticos religiosos, falsos profetas, não-filhos de Gandhi, clichês, pré-estabelishment, jovens imperialistas, porco-chauvinistas, militantes de Maluf, bicho-grilos ociosos, padrão Globo de qualidade...
Num galang ou em outro espaço qualquer...
Eu Joana D'Arc ainda ouço algumas vozes Olga e Luís Carlos rememoram suas cartas Da janela posso ver Pagú sorrindo desgraçadamente Rosa Luxemburgo passa o café toda faceira Lá na colina numa cama de campanha Quão bonito é ver Guevara lendo Faulkner Marx ri pra Fidel aqui de cima Bonito de se ver foi Lennon tocar enquanto Anne Frank acompanhava num ritmo com as mãos Tancredo, Bakunin, Lampião e Chico Mendes jogam escravos de jó Enquanto Adolf Hitler arde no fogo do inferno...
E enquanto isso no Palácio do Catete... Viva o ABC!!! Quero o Zé Maria E Heloísa no poder!!! Enquanto os homens exercem seus podres poderes... ....Somos palhaços do circo sem futuro Saia de mim como escarro, como pus, porra, cuspe, catarro...
"Vivemos numa pátria de podres poderes e sedento de novos revolucionários, onde inconformar-se é apenas reflexo de um coração solidário" (essa frase que anexei no manifesto fiz para uma promoção da Folha que concorria à alguma coisa do Nirvana, nem sinal da coisa...)
Contra tudo e a favor de tudo... Simone de Beavouir está morta, faça você a revolução...
Graziela, em meados de 2004.
Escrito por Graziela às 00h08
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e assim foi...

e você vai vir me buscar até a esquina porque eu não quero andar meio metro sozinha e vai xingar porque eu vou parar para erguer a alça da sandália e depois vai rir alto porque você arrotou e eu fiquei em fúria e depois você vai querer me levar de guarda-chuva até o bar da esquina com o céu estrelado só para as pessoas ficarem olhando e pensando assim: “por que eles estão de guarda-chuvas”, porque daí se as suas pernas um dia ficarem fraquinhas de tanto correr de apertar campainha e seu dedão ficar no asfalto porque chutou o sapato na casa de qualquer mulher rica vindo do fetiche eu empurro a cadeira de rodas, o carrinho de rolimã ou a bicicleta do posto em bauru para te levar comigo até ali, vamos, vamo ali comigo? me empresta a sua escova de dentes, vamos lá na casa da árvore vê que sabor tem de gudan garang e depois o dia que você não puder ir até ali você diz sempre: eu te dou uma trufa depois e daí eu falo, então ta, e daí no dia seguinte você não trouxe a trufa e falou: ah, grá! e porque também a gente tava esperando a chuva passar quando o plantão anunciou que roberto marinho já era e sabe porque eu sempre vou ter que te contar um bocado de coisas e esperar caindo no chão, rolando, dançando e rodando você dizer do pc da prefeitura, todos os literatos, artistas, escritores e comunistas... e eu falo, vai se fuder e você coloca mil risadas para eu saber que você ta chorando, mas daí quando eu começo a gritar de rir eu ligo aí para você saber que eu estou gargalhando alto e porque então, nesse caso, você não precisa disfarçar que é um geólogo, um médico em apuros para gravar suas teses no convívio de tantos burocratas-aspones-da-prefeitura, porque ai, porque... porque eu quero nunca ter bolhas nos pés para sempre que vê-lo poder correr, gritar e abraçar!!!!!!!!
Escrito por Graziela às 21h17
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vou ganhar a vida enrolando charutos em cuba
Escrito por Graziela às 10h35
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não sei dar nome aos bois

Aquilo que você rejeita no seu íntimo, mas aceita enquanto sorri...cortês eu, cortês você
Uma versão repaginada e infeliz do que um dia foi uma puta, uma moça recatada ou uma vendedora de fósforos
Acariciando orelhas enquanto maquina como seria uma morte lenta e anestésica
Ao tempo que escolhe o vestido que combina com os sapatos como se fosse para a maternidade
Não interessa o que seja compreensível,
É permitido viver apenas enquanto durarem as dúvidas
Preenchedora do tempo, novidade do dia, acalento da madrugada
Como queria ter dançado ao passo dos cassinos com um olhar paralisado que pende para o lado
Só é permitido viver se tem alguém a espera lá fora
Doloroso quando se esvai e nada volta
Nem o padeiro com a conta do dia anterior Tardes longas, cheias de claor, desmoronam-se quando aquilo que está longe
Quando penso que a maioria já partiu
O que de animado ficou?
Uma dia como o outro, o ponteiro do relógio fazendo sempre o mesmo tour ritmado Posso ficar melhor quando o outono chegar
Posso ter febre
Posso esmagar uma fruta com os pés
Posso pronunciar palavras hebráicas, sânscrtias, ciganas
Vigiar alguém
Posso seguir... as coisas sempre tendem a acontecer
Escrito por Graziela às 10h23
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